A gestação e o parto são momentos ímpares na vida de uma mulher, a expressão mais exuberante da sua feminilidade. Através da história, nas várias civilizações, esses eventos sempre foram do domínio das mulheres. Entretanto, vivemos hoje uma era onde o parto foi delas expropriado:

“As características masculinas: razão, praticidade, rapidez, linearidade no pensamento, tecnologia, passaram a ser aplicadas ao parto. E as características psicologicamente associadas ao feminino – sensibilidade, sentimento, intuição, ciclicidade, conhecimento vivencial, receptividade – passaram a ser cada vez menos apreciadas e, muitas vezes, nem levadas em conta.”  Adriana Nogueira – psicanalista

Há hoje uma extrema medicalização do nascimento – a gestação é vista quase que como uma doença, o parto foi reduzido a um evento fisiológico perigoso, que demanda as mais sofisticadas intervenções tecnológicas. Decide-se a hora em que o bebê deve nascer, decide-se a posição em que a mulher deve permanecer para dar à luz seu filho, decide-se quem pode e quem não pode acompanhá-la neste momento……a gestante tornou-se um objeto, um ser passivo sobre o qual a instituição médica tem poder absoluto.

“É inadmissível que um fenômeno tão intrinsecamente feminino
seja gerenciado por pressupostos tão marcadamente masculinos
Ricardo Herbert Jones – obstetra

Não pensemos que é sem consequências esta usurpação do feminino no nascimento. As sequelas são profundas na psique feminina. E Michel Odent, pioneiro no estudo do impacto da forma de nascer nos comportamentos sociais, nos mostra que “as diversas condições de parto determinam padrões de conduta que vão influenciar toda a vida do recém-nascido”.

Como podemos resgatar o que nos foi espoliado, nossa capacidade de dar a luz e o poder sobre nossos corpos? Na verdade, nós, mulheres modernas, temos tanta capacidade de gerar e parir como tinham nossas avós e bisavós – que tinham 5, 10, às vezes mais filhos, em suas casas, ajudadas pelas comadres que iam “aparar os bebês”…..Nossos corpos não mudaram da época de nossas avós para cá. Mas perdemos nossa CONEXÃO com nossos corpos. Nos desconectamos de nossos instintos, de nossas capacidades naturais femininas.

“Somos a representação de uma feminilidade destroçada.
E somos também o ventre de onde surgirá o NOVO. É importante devolver às mulheres seu parto, seus
filhos e tudo o mais que sempre foi de seu domínio por direito cósmico
.”
Sandra Moreira – ONG Maria Maria

Nesta busca pela expressão total do nosso Ser temos um forte aliado: Yoga. Yoga é um caminho para a recuperação do feminino que está perdido em nossa sociedade. Por desenvolver    Por desenvolver a sensorialidade, o silencio interior e a compaixão, nos ajuda a silenciar a mente e equilibrar o excesso de racionalidade que nossa forma atual de viver nos impõe. Yoga equilibra o mental e o sensorial, razão e  amor, “Ha”(masculino) e “Tha”(feminino). É um maravilhoso caminho de volta, nos ajudando a nos religar com nossos corpos, nossas emoções, com o centro do nosso SER.

A prática de yoga ajuda as mulheres a retomarem o contato com sua intuição e sabedoria mais profundas. A gravidez em especial, ocasião onde apresentamos naturalmente uma maior sensibilidade e introspecção, é um momento ideal para esta prática. Yoga auxilia também a praticante no resgate da condição de “agente” da própria saúde e bem-estar, saindo da condição de “paciente”, que espera que lhe digam o que fazer para curar o seu corpo. Num parto, esta postura ativa e a confiança em seu corpo – também um presente ganho pelas praticantes de yoga – são fundamentais.

De quebra, yoga ajuda ainda a mulher a contornar os desconfortos da gravidez: melhora a respiração (e consequentemente a oxigenação do bebê), as dores nas costas que tanto incomodam as grávidas, o equilíbrio, a digestão, previne varizes e ajuda a dormir melhor! Yoga traz bem-estar, conforto e serenidade à gestante, permitindo que ela vivencie de forma mais saudável, plena e consciente esta grande magia do SER MULHER.